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Sentidos do Nascer

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a taxa de cesáreas vem aumentando drasticamente em muitos países, com implicações negativas na saúde das populações. O nascimento é um momento de grande importância como experiência pessoal que marca para sempre a vida da criança e da mulher.

Author / translator Marina Assis Fonseca

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a taxa de cesáreas vem aumentando drasticamente em muitos países, com implicações negativas na saúde das populações. O nascimento é um momento de grande importância como experiência pessoal que marca para sempre a vida da criança e da mulher. A forma de nascer tem também grande importância em termos de saúde coletiva, pois a condição ao nascimento está relacionada à saúde imediata e futura da criança, ao seu desenvolvimento psico-afetivo na infância e vida adulta e à saúde da mulher. O debate sobre o parto envolve diferentes pontos de vista, cercados por mitos, tendências e informações científicas ou de senso comum.
Qual é a melhor forma de nascer: a mais saudável ou a mais conveniente? O que levar em conta além da segurança e riscos de saúde para mãe e bebe: as dores, os custos, a praticidade? Se a questão econômica interfere, como avaliar a relação custo-benefício para os indivíduos, para instituições e para a sociedade? O modo de nascer deve ser uma escolha da gestante, da família, do médico, do hospital, do plano de saúde ou de políticas públicas de saúde? O que está em jogo nesta escolha: autonomia, direito à saúde, acesso à informação, relações de poder, diminuição de danos, livre mercado?

Created 30 June 2020
Last edited 3 August 2020
Topics Culture, Gender, Health

Policy positions

Policy position 1

O Estado deve proteger a saúde da mulher e do bebê, assegurando o acesso à atenção de qualidade na gestação e no parto, regulando e fiscalizando os serviços públicos e os planos privados de saúde, bem como a formação profissional.

Policy position 2

O Estado deve cuidar da assistência ao parto apenas no sistema público de saúde assim como deve regular a formação dos profissionais apenas nas instituições públicas.

Policy position 3

O Estado não deve regular nem fiscalizar mas apenas promover as boas práticas e realizar campanhas educativas sobre a importância do parto normal.

Policy position 4

Não é necessária nenhuma regulamentação sobre o parto. É responsabilidade de cada um escolher como, com quem e onde o parto deve acontecer, de acordo com sua preferência e possibilidades.

Story cards

Parto normal, eu acho que é meu mesmo, pertence a mulher. Eu queria porque eu pensava assim, que ser mãe tinha que passar por isso, eu acho que não era fazer cesárea. Eu penso que uma mulher pra se realizar precisa passar pelo parto normal e eu precisava passar por essa experiência pra eu me realizar, eu queria de todo modo fazer um parto normal.

Idealização de um parto

No dia em que meu filho nasceu eu não o ouvi chorar. Gabriel teve uma falta de oxigenação no parto e nasceu com o coração parado. Foi reanimado por uma pediatra de olhos azuis, que estavam vermelhos e cheios de lágrimas quando ela me deu a notícia de que ele não estava bem. A primeira vez que eu vi meu bebê, estava entubado, a caminho da UTI. Eu e meu marido (que viu todo o parto) ficamos na sala sem saber a dimensão do que tinha acontecido. Seu parto normal foi muito sonhado, incentivado e bradado. Mas ele era um bebê grande e a parte interna da minha bacia era pequena. Ele entalou. O médico, um senhor experiente, me explicou mais tarde, no momento em que o trabalho ficou complicado, já não era mais possível fazer uma cesárea. Resultado: meu filho quase morreu e eu fiquei muito machucada. Depois de um mês, teve alta da UTI. A única parte do seu cérebro afetada permanentemente foi a da coordenação motora. Mesmo sabendo que o que aconteceu foi uma fatalidade, até hoje me arrependo profundamente de ter insistido tanto com meu médico em fazer um parto normal.

Maria Laura Neves, 33 anos

O parto normal era um ideal para mim. As colegas grávidas da ioga diziam que precisávamos nos ‘empoderar’, como se o poder e a responsabilidade sobre o nascimento fossem exclusividade da mãe. Eu fiz de tudo para me ‘empoderar’. Talvez, se estivesse menos obcecada com isso (e tivesse obcecado menos o meu médico), as coisas fossem diferentes e não teria me frustrado por ter tido uma cirurgia de cesariana. Concordo que a estatística brasileira das cesáreas tem de mudar. Mas vida nenhuma pode ser colocada em risco em nome dessa causa. Varias amigas cujos partos evoluíram para cesáreas comentam comigo a mesma frustração que tive. ‘Eu não consegui ter um parto normal’, Isso é um absurdo. Fazer uma cesárea não é um pecado e, o principal, não é culpa da mãe. Filhos nos ajudam a ver que não temos controle sobre tudo. Triste das mulheres que não percebem isso.

Mãe frustrada (a partir do depoimento da Maria Neves)

Minha esposa, Coleen, estava grávida de sete meses de nosso segundo filho no momento em que leu um artigo sobre o PNAC (Parto Normal após Cesárea). Nosso primeiro filho nasceu por cesárea. As ultrassonografias haviam revelado que o segundo era grande e a cesárea foi agendada. Coleen, que temia as contrações gostou da ideia da cesárea. Quanto a mim, tinha um desgosto: não viver com ela um parto vaginal “normal”. Mas cabia a ela decidir. Não havia, segundo ela, tempo para se preparar para uma mudança radical. Três dias depois Coleen acordou às 5 da manhã, perplexa por sentir algumas contrações. Elas aumentaram e fomos ao hospital. O colo do útero estava com 2 cm de dilatação. O médico disse com uma voz tranquilizadora, mas firme: “Como você começou por si mesma, vai terminar sozinha”. Um brilho de pânico passou pelos olhos de minha mulher, mas conseguimos tranquilizá-la. O bebê era prematuro. Por volta das 10h30, ela foi levada para a sala de parto. Às 11h02, depois da episiotomia de rotina, Coleen fez força mais uma vez e Patrick nasceu, com 2,85 kg. Hoje, nós dois ficamos felizes.

PNAC

Meu nome é Adelir Góes, tenho 29 anos e dois filhos, um de 7 e uma de 2 anos. Sonhava ter parto nor- mal na terceira gravidez. Se na minha cidade tivesse equipe de parto domiciliar seria minha opção, mas me contentaria com um parto nor- mal hospitalar. Tudo o que eu que- ria era evitar uma cesárea.
Estava com 41 semanas de gestação, o bebê se movimentado, frequência cardíaca do bebê e minha pressão normal. Procurei o hospital com dores lombares e na região do ventre. A médica indicou a realização imediata da cesariana como única opção, Mas eu me recusei e voltei para casa, depois de assinar um termo de responsabilidade. Enquanto eu esperava em casa, com o auxílio da doula, o hospital acionou o Ministério Público, que enviou uma ambulância a minha casa e me obrigou a seguir para o hospital. Caso eu me recusasse a ir, policiais armados levariam meu marido para a prisão. Nem assistir ao parto ele pôde, sendo que existe uma Lei Federal no Brasil que garante este direito. E meus direitos ao meu corpo e às minhas escolhas?

Adelir Góes

Não queria ter filhos porque não me imaginava como mãe. Mas o tempo foi passando e decidi experimentar. E quis o “pacote completo”. Para ser mãe foi fundamental parir meu filho. Eu mesma. Com 42 anos e o primeiro filho, tive receio de ir para qualquer hospital e passar por violências obstétricas em parto “normal” (anormal) como ocorrera com minha mãe. Cesárea nem pensar. Então decidi parir em casa. Informei-me, me cerquei de profissionais experientes. Meu filho nasceu com auxílio de duas enfermeiras e do meu marido. Foi uma experiência transformadora. Nos dias seguintes eu queria ter mais filhos só para parir mil vezes. Doeu muito! E foi maravilhoso! E depois dessa experiência tive a certeza de ter vivido uma experiência intensa, emocionante e essencial para me tornar a mãe que nunca sonhara.

Intenso e Transformador

Mesmo não sendo obstetra, acabei dedicando minha carreira ao parto natural. Eu trabalhava como cirurgião em uma maternidade perto de Paris. Lá mudamos as regras, substituindo a sala de parto por uma sala que parecia o quarto de uma casa. Desenvolvemos uma abordagem diferente para o parto, incluindo alternativas, como o parto na água, para o alívio da dor. Defendo que a mulher precisa ser protegida de interferências que possam inibir o trabalho de parto. E também que o bebê deve ser colonizado pelos germes da mãe, especialmente passando pelo canal vaginal. Eu pesquiso os efeitos da ocitocina, que é um hormônio natural que tem sido usado, em forma sintética, em altas doses nos partos.

Michel Odent

Eu sei parir e sei que não são necessárias tantas intervenções! Mas vai doer!?! Claro que vai! E talvez seja a única dor que faça sentido, ela é a certeza que chegou a hora, que eu e meu filho estamos prontos para dar continuidade à conexão da vida fora do útero. Eu não vou passar pela raspagem de pelos, a lavagem intestinal, o jejum, a solidão, a imobilização, a posição ginecológica, o uso de hormônios artificias para acelerar o parto e o corte da vagina (episiotomia), eu quero sentir cada momento, é minha hora e minha escolha. O parto cesáreo é anormal, violento. São sete camadas cortadas, além de chance de hemorragias, infecções, lesões em órgãos. Eu não quero isso! O que é normal é o parto natural!

Ativista

Agora vieram com essa: relatório de tudo que acontece antes da cesárea de cada paciente ! O que eles acham que vão melhorar com isso? O tempo que vou gastar fazendo o partograma de cada paciente eu poderia estar fazendo outros partos. Não preciso ser fiscalizado, eu estudei mais de 6 anos e sei o que faço, se eu não soubesse que o parto cesárea é o mais indicado para um paciente vocês acham que eu faria só por mero prazer meu? Claro que não, sou médico, minha formação é em prol da vida, da saúde, eu quero o melhor para os meus pacientes, por isso indico cesárea aos que precisam. O agendamento é para facilitar a vida da gestante, ela pode se programar, se preparar melhor. Aqui no hospital ela vai ter todo acompanhamento que precisar, e os riscos são mínimos.

Médico Cesarista - Partograma

Nós, enfermeiras obstétricas temos que olhar o ser humano como um ser que tem seus sentimentos e, portanto, cuidar dos aspectos psico- lógicos, cuidar de tudo. A humanização começa pela necessidade de diminuir os índices de cesárea, melhorar a assistência e também por causa da postura hierárquica dos profissionais médicos, enfermagem e outros funcionários do hospital, que consideram a mulher em posição inferior, despersonalizando o seu parto. Ainda ao excesso de intervenções como medicação, to- que, aparelho disso e daquilo; enfim, um monte de parafernália. Às vezes, as parturientes passam fome e sede. Portanto, humanizar o parto é o resgate da forma mais natural do nascimento; como se fosse em casa.

Enfermeira Obstetra

Após assistir ao filme “O Renascimento do Parto” eu e minha esposa, que é enfermeira, ficamos tocados e desejosos de um parto natural. Mas eu temia o parto domiciliar. Após nos respaldarmos em artigos científicos ficamos convencidos sobre os resultados muito favoráveis do parto domiciliar (um dos estudos chegavam a englobar mais de 600.000 nascimentos). Decidimos com 39 semanas após conhecermos a equipe de parto. A experiência de ver meu filho nascer da forma mais natural possível (sem intervenções, sem rompimento artificial de membranas, sem cortes, sem episiotomia, sem ocitocina sintética). A espécie humana com seus milhões de anos de evolução não precisa de intervenções cirúrgicas para permanecer viva. Pedrinho nasceu em casa, dentro da banheira, chorando, lindo, mamou logo que nasceu não saiu de perto da gente, sorriu!!! Rita e Pedrinho sempre saudáveis durante a gravidez, pra que hospital? Pra que médicos se não há doença? Como médico que sou, planto aqui esta semente, na intenção de resgatar a função original dos médicos: cuidar e tratar doentes. Nisso devemos ser bons.

Luciano Matarelli - Anestesista e Pai (Blog Vila Mamífera)

Minha decisão está tomada. Vou fazer cesariana de novo. E não vou amar menos minha filha por causa disso. Essa história de parto normal é um “show de horror” e desnecessário. Gosto de tudo organizado na minha vida. Meu 1o filho nasceu de cesárea no dia em que eu escolhi. Me recuperei super bem, em 10 dias estava perfeita e ele super saudável. Minha médica me deixou muito a vontade e falou que posso ter do jeito que quiser de novo. Todos os partos têm vantagens e desvantagens. O que importa é que o bebê chegue cheio de saúde e perfeito. Algumas pessoas estão me criticando por minha decisão, mas eu prefiro assim! Só vai ser parto normal se faltar luz, cair um dilúvio ou eu chegar no hospital no período expulsivo. Acho engraçado que ninguém que escolhe cesárea fica tentando “catequizar” as demais a mudarem de opinião. Só gostaria que não me julgassem.

Mulher Cesarista

Meu nome é Sandra e sou moradora do município de Batalha-PI. Meu primeiro filho, o Vitor, eu tive em casa, pois moro longe da cidade grande, achei que tinha “sufrido” demais, pois a dor do parto é terrível. Quando fui ter a Gabriela percebi que num tinha sofrimento pior que o do hospital. Passei o final da gestação na casa de uma prima que mora na cidade grande, e quando a bolsa “estorou” fomos pro hospital. Foi Horrível!!!! Eu fiquei “impindurada” nuns ferro, toda esquisita, as cadeiras da gente fica toda aberta lá pro médico, dá uma vergonha! E depois fiquei com muita dor nas pernas, no meu pé e “nas anca”. Em casa eu “garrei” firme no punho da rede e puxei pra baixo, tava pelo menos confortável já que era pra doer mesmo. No hospital não tem onde segurar pra fazer força, a dor foi maior durante e depois!

As posições em um parto hospitalar

Quando eu fui pro hospital, para ter meu primeiro filho eu fiquei quinze horas na sala de parto, no período do processo de espera o médico dizia que eu não poderia fazer o parto cesárea, mas eu não tinha dilatação e foi feito o fórceps para tirar o meu filho. Eu não entendo o uso desse procedimento, ainda mais que se fala que o uso dele é proibido no Brasil, à criança corre risco com esse tipo de parto e eu não tenho boas recordações dos meus outros dois partos de fórceps que tive. Morro de medo desse procedimento.

Fórceps

Minha maior motivação para ter uma cesárea é evitar a dor do parto. Acho que, se é possível evitar sentir dor, é melhor, não? Meu médico diz que faz cesárea logo porque não aguentava ver a paciente sofrer. Mas conheço mulheres que tiveram partos normais e também já fizeram cesáreas e acham que cesárea dói mais. Então, estou na dúvida. Enfim, o que dói mais?

Ai que dor!

Jamais farei um parto normal! Parto humanizado... Não sei o que tem de humanizado em passar horas sentindo dores, contrações violentas, passar uma cabeça enorme em um buraco minúsculo, suar e se borrar inteira de fazer força, rasgar a dita cuja inteira, levar talho lá em baixo, ficar com a região sensível e frouxa depois. Se a medicina evoluiu para que eu possa ter um parto sem dor, pode ter certeza que eu vou optar por isso. Agora essa modinha de bichos grilos naturebas inventando riscos, como se não houvesse nenhum no parto normal. Comparem a taxa de mortalidade no tempo dos nossos avós!

Modinha

Nunca tenha um parto normal! Sou mãe de 6 filhos, dois homens e quatro mulheres, e até hoje sofro as conseqüências desses partos violentos: incontinência urinária e a hérnia. Quando tive minha primeira filha senti dores absurdas e tive minha vagina rasgada ao ponto de unir com o ânus, foi imensa a dor, minha filha nasceu com 4,5Kg. Fui costurada, mas os pontos não cicatrizaram direi- to e no meu segundo filho tive que passar pelo mesmo procedimento com o agravante de quase ter perdi- do minha bexiga. Os meus seis filhos estão todos bem, saudáveis e felizes, e minhas filhas todas tiveram parto cesário, pois não permitiria que cometessem o mesmo erro que cometi.

Ouça a voz da sabedoria

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Evidências científicas versus práticas obstétricas

Alguns procedimentos obstétricos realizados durante o pré-natal, nascimentos ou pós-parto não são consenso no mundo. Devido a evidências insuficientes e inconclusivas, cada país, instituição e /ou profissional adota condutas variadas para determinadas situações. Como exemplo, temos o tempo de espera para intervenção no caso de ruptura espontânea da bolsa com líquido amniótico (o saco amniótico rompe sem entrar em trabalho de parto).

Informar é capacitar

A desvalorização do parto normal e a prática de intervenções cirúrgicas desnecessárias, cada vez em maior número e freqüência, são um indicativo da falta de informação e educação em saúde da população feminina. Com informações e aconselhamento adequado, a mulher é empoderada e se torna protagonista do parto, tomando decisões de acordo com seus desejos, contexto e conforto.

Cesárea: melhor opção?

Atualmente já existem evidências científicas suficientes para afirmar que não ocorre diminuição sistemática e contínua da morbidade e da mortalidade perinatal com o aumento da taxa de cesariana. Esse procedimento cirúrgico pode ser considerado endêmico. Comparando-se com o parto normal, na cesárea o aleitamento materno é mais difícil, as complicações são mais freqüentes, a prematuridade, a dor no pós-parto e o risco de morte são maiores.

Segurança versus Modismo

Ha quem considere parto natural (PN) e, especialmente o parto domiciliar (PD) um modismo. A opção pela via de parto deve ser uma escolha pessoal, sujeita à influência de “modas” e preferências pessoais, aos estilos de vida? Ou deve haver regulamentações restritivas e baseadas em evidencias científicas sobre a maneira mais segura de nascer/parir?

Responsabilidade sobre o bebê: dos pais ou do Estado?

Uma gestante tem direito a escolher a via de parto. Um obstetra tem sob sua responsabilidade dois pacientes (a mãe e o bebê). Caso o médico avalie que a via de parto escolhida pela mãe coloca em risco a vida do bebê, ele tem o direito de impor a via de parto? Bastaria um termo assinado pela paciente isentando o médico da responsabilidade?

Termo de Responsabilidade

Um termo de responsabilidade é o documento pelo qual uma pessoa declara ter se tornado responsável por determinada decisão.

Parto normal após cesárea

No Quebec, algumas mulheres submetidas a cesariana mesmo com desejo de um PNAC (Parto Normal após Cesárea) conseguiram, por meio de processo judicial, receber indenização devido a síndrome de estresse pós- traumático. O parto normal após cesariana anterior ainda é questionado pelos obstetras pelo risco de ruptura uterina. A literatura, entretanto, sugere que deva ser tentado, pois tem taxa de sucesso de 70% e baixa incidência de ruptura uterina.

Riscos da Cesárea Eletiva

Acredita-se que a cesariana seja uma via de parto indolor e segura. No entanto, aspectos como, reações anestésicas graves, dor no pós parto, risco de infecção, separação mãe-bebe e dificuldade de vinculo e amamentação, riscos para gestações futuras como inserção anormal da placenta, não são abordados quando se decide por uma cesariana eletiva.

Epidemia Cesariana

O fenômeno refere-se ao descumprimento das recomendações da OMS, que preconiza que cerca de 15% dos partos necessitem de tal intervenção, sendo as outras 85% gestações de baixo risco que podem ser levadas a termo pelo parto vaginal - comprovadamente mais seguro. Diversos países têm taxas de cesariana muito acima dessa recomendação, onde mais de 50% dos nascimentos totais ocorre por via cirúrgica.

Parto humanizado

O conceito de humanização do parto pode ser bastante diversificado, porém, há um movimento defendendo-o como um processo que respeita a individualidade das mulheres, valorizando-a como protagonista e permitindo a adequação da assistência à cultura, crenças, valores e a diversidade de opiniões.

Prazer x Dor
Óbitos fetais e neonatais

Um estudo dos óbitos fetais e neo- natais (479 casos) precoces ocorri- dos em maternidades do SUS mostra que grande parte dos óbitos ocorre em crianças prematuras e o baixo peso ao nascer (< 2,5kg) estava presente em 19,2% dos nascimentos, embora uma proporção elevada de óbitos (37,9%) tenha ocorrido em crianças com peso acima de 2,5Kg.

Tempo de Gestação

Um bebê é considerado a termo, ou seja, não pré-maturo, quando nasce entre 37 e 42 semanas. A cada semana que a criança permanece no útero ela amadurece e ganha peso, ou seja, se prepara para a vida extrauterina. A principal causa direta de mortes infantis é a prematuridade (SMS, Divisão de Vigilância Epidemiológica).

Segurança no Parto Domiciliar

A literatura científica internacional tem demonstrado por meio de recentes estudos que os resultados obstétricos e perinatais do parto domiciliar são semelhantes quando com- parados aos locais de parto, desconstruindo a vigente concepção de que o parto domiciliar oferece maior risco para mãe e bebê em relação ao hospitalar.

Direitos Reprodutivos

Os direitos reprodutivos incluem: direito de decidir, livre e responsavelmente, sobre o número, o espaçamento e a oportunidade de ter filhos; de ter a informação e os meios de assim o fazer; de tomar decisões sobre a reprodução, livre de discriminação, coerção ou violência.

Direitos Sexuais

Os direitos sexuais incluem: vivência e expressão livre da sexualidade, sem violência, discriminação ou imposição e com total respeito ao corpo do parceiro; livre expressão da orientação sexual; ter relações sexuais independentemente de reprodução; direito ao sexo seguro a fim de prevenir gravidez indesejada, DSTs e AIDS; garantia de privacidade, confidencialidade, cuidados médicos sem discriminação

Sofrimento Fetal

Também conhecido como hipóxia neonatal, ocorre quando o feto é submetido a períodos de privação de oxigênio. Pode ocorrer durante o trabalho de parto. Quando o sofrimento fetal é logo solucionado a recuperação do feto costuma ser rápida e não deixar sequelas. Caso contrário, pode levar a lesões cerebrais ou lesões encefálicas extensas. Os casos em geral devem-se a alguma patologia materna ou à qualidade dos serviços médicos prestados.

Denúncia sobre direitos negligenciados

No Quebec, se alguma mulher não conseguir realizar um PNAC (parto normal após cesárea) sem justificativa médica, ela é aconselhada a reclamar na administração do hospital, e fazer uma queixa oficial à associação medica e à associação de estabelecimentos de saúde e serviços sociais. Sugere-se alertar às associações de consumidores do Quebec, à ONG Naissance Renaissance, aos legisladores de políticas publicas e também a Rede de Ação Feminista.

Taxa de Cesáreas

Segundo a OMS, a taxa de cesáreas quase dobrou durante a última década, em países como Canadá, Itália, Espanha, e atingiu um nível muito elevado em países, como o Brasil e a China. Mais da metade das brasileiras tiveram uma cesárea: 55,7 % em 2012.

Justificativas para as taxas de cesáreas

As principais justificativas para tanto são fatores sociais, demográficos, culturais e econômicos das gestantes associados à solicitação materna pelo tipo de parto e fatores relacionados ao modelo assistencial desenvolvido nesses países, que envolvem aspectos do trabalho médico e de outros profissionais, preferências médicas e interesses econômicos dos atores envolvidos no processo.

Cesárea

A operação cesariana é uma técnica cirúrgica utilizada para retirar um feto de dentro do útero. Para a realização da operação, é feita uma incisão transversal ou longitudinal (solução mais rara) sobre a pele da gestante, acima da linha dos pelos púbicos. Sete camadas de tecidos são sucessivamente abertos. Extrai-se então o feto e em seguida é a retirada a placenta. Cada uma das camadas de tecido é então costurada.

Indicações absolutas de Cesárea

A cirurgia de cesariana é necessária quando há:
- Descolamento de placenta (hemorragia grave durante o parto)
- Prolapso de cordão (o cordão sai antes do bebê)
- Placenta prévia (placenta que “nasce” antes do bebê)
- Tumor uterino que obstrui a passagem do bebê no parto
- Bebê atravessado
- Herpes genital ativa

Assistência ao parto de baixo risco

Na maior parte dos países europeus e outros países desenvolvidos a assistência ao parto de baixo risco (gravidez normal) é realizada por parteiras profissionais ou enfermeiras obstetras, que integram equipes multiprofissionais, apresentando os melhores resultados perinatais e maternos do mundo, incluindo os menores índices de mortalidade materna e infantil.

Parto Domiciliar Planejado

Nascimentos assistidos por profissionais de saúde habilitados e que são planejados para acontecerem em domicílio. O parto domiciliar planejado e de baixo risco está associado a: menores taxas de morbidade materna grave, de hemorragia pós-parto e de remoção manual da placenta; baixas taxas de intervenções obstétricas sem aumento nas taxas de mortalidade perinatal. Estes apresentam resultados favoráveis e podem ser tão seguros quanto hospitalares.

Violência Obstétrica

Em todo o mundo, muitas mulheres sofrem abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde. Este tipo de tratamento não apenas viola os direitos destas mulheres a tratamentos médicos adequados, mas também afronta seus direitos à integridade física, de vida e saúde e não-discriminação (OMS, 2014).

Violência Obstétrica II

Violência obstétrica também é definida como uso de práticas não recomendadas durante a gestação, parto e pós-parto, tais como: informação insuficiente; falsas recomendações para cesárea; ocitocina intravenosa de rotina; restrição dos movimentos durante o parto; apressar o parto; manobra de Kristeller (pressão sobre a barriga para empurrar o bebê); abusos verbais, entre outros.

Índice de Mortalidade Materna

A razão de mortalidade materna (RMM) é indicador da qualidade de saúde, influenciada diretamente pelo grau de desenvolvimento econômico cultural-tecnológico de um país ou sociedade. Estimativas de RMM da OMS para o ano 2000 identificou um risco elevado de morte materna (MM) nos países pobres, com difi- culdades sociais importantes, em oposição aos países desenvolvidos, onde este índice não ultrapassa 50,0 mortes maternas/ 100.000 nascidos vivos.

Índice de Mortalidade Materna II

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Acompanhamento e controle das maternidades

No Brasil, onde prevalece o SUS gerenciado pelas prefeituras, as secretarias de saúde de algumas cidades, como Belo Horizonte, fazem a avaliação (com base em indicadores epidemiológicos e nos direitos das mulheres) e monitoramento sistemático das maternidades, chegando a fechar maternidades consideradas de baixa qualidade.

Surgimento da cesariana

Registros antigos sugerem que a retirada do feto por via abdominal vem de épocas milenares, inicialmente sendo feita em mulheres mortas ou moribundas. Registros do procedimento em mulheres vivas datam do século II a.C. O primeiro registro com sobrevivência da mulher data de 1500 na suíça, realizada por Jacob Nufer, um castrador de porcos, em sua esposa. Em 1581, com uma publicação de Francis Rousset, esta cirurgia passou a ser considerada viável.

The emergence of the C-section II

O próprio nome Cesariana vem de um nascimento por cesariana, de acordo com fontes históricas, dada do nascimento do líder do império Romano, Julius Cesar. Cesar foi removido do útero de sua mãe, Aurélia, depois de sua morte. Para salvar o bebê, os profissionais responsáveis pelos procedimentos médicos no dia, optaram por cortar o ventre de sua mãe.

Falsos motivos para cesáreas

Falsos motivos alegados para realizar cesáreas incluem: idade materna; aceleração ou queda dos batimentos cardíacos fetais, sem monitoramento apropriado; anemia; asma; artéria umbilical única; pelve estreita; bebê grande ou pequeno; bebê não encaixado; bebê engolindo líquido amniótico; ruptura de membrana amniótica; candidíase; cesárea anterior; entre outras.

Falsos motivos para cesáreas II

Falsos motivos alegados para realizar cesáreas incluem: coleta de sangue do cordão umbilical para congelamento; cordão enrolado no pescoço do bebê; cordão curto; colo grosso; diabetes gestacional; falta de dilatação antes do trabalho de parto; gestação gemelar; epilepsia; infecção urinária; placenta velha; entre outras.

“Consolidação” da cesariana

O aumento na necessidade de cesarianas se deu na virada do século XIX para o XX devido às necessidades de mulheres com raquitismo e mal formações na pelve, aliadas a avanços na obstetrícia. Depois da II Guerra a cesariana nunca retornou às baixas taxas anteriores ao raquitismo.

Tempo do Bebê 1

Não é recomendado retirar o bebê antes da hora, pois ele precisa estar pronto. Muitos bebês estarão ainda imaturos, apesar de não serem considerados prematuros. Prematuridade é quando o bebê nasce antes de 37 semanas de gestação. Entretanto, atualmente existem estudos e uma ampla discussão que apontam a chamada prematuridade como anterior a 39 semanas.

Condições impostas e desfavoráveis

Condições geralmente impostas às mães em trabalho de parto, e desnecessárias: apressar; cortar os pelos; fazer lavagem intestinal; ficar deitada; ter vários toques; administrar soro; administrar ocitocina; estourar ou furar a bolsa; ter corte na vagina (episiotomia); parir numa posição pré-determinada; ficar num ambiente hospitalar.

Visão médica

A questão das pacientes preferirem o parto via cesariana foi mencionada muito frequentemente em diversos estudos relacionados com o corpo médico, atribuindo às parturientes e ou suas famílias a grande demanda pela cesárea, como se delas fosse grande parte da responsabilidade pela epidemia de cesáreas. Tal demanda, todavia, não encontra correspondência e não se sustenta à luz dos resultados dos estudos voltados para esta questão.

Ocitocina endógena X Ocitocina sintética

Os efeitos da ocitocina no nascimento e na amamentação é um conhecimento reconhecido. Atualmente, sabe-se de seu papel na socialização. Os estudos também apontam a importância da ocitocina liberada durante o parto normal na formação do vínculo mãe-bebê, além da importância na prevenção de hemorragias pós-parto.

Tempo do Bebê 2

Para o bebê, o parto vaginal tem inúmeros benefícios, trata- se de uma transição para a vida fora da mãe, um ritual de passagem. Pesquisas em epigenética indicam que a colonização com as bactérias do corpo da mãe implicam em proteção, saúde e prevenção primária. O período do trabalho de parto é um tempo para o bebê receber os hormônios da mãe, tempo de descer, rodar, posicionar a cabeça e participar ativamente do parto.

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